
A força econômica do Centro-Oeste pode se transformar em força política nacional? Essa é uma das perguntas que ganham espaço na disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se enfrentarão no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A ideia de uma articulação entre os governadores e as lideranças políticas de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ganhou relevância diante da possibilidade de construir uma frente regional em apoio a Flávio. Entretanto, a soma dos votos dos três estados, por si só, não resolve o desafio eleitoral enfrentado pela direita.
No primeiro turno, o Centro-Oeste registrou aproximadamente 9,1 milhões de votos válidos. Flávio Bolsonaro obteve 56,5% dos votos válidos da região, contra 32,6% de Lula. O resultado demonstra a força eleitoral do candidato do PL nessa parte do país.
O cenário nordestino, porém, é diferente. Lula recebeu cerca de 21,5 milhões de votos nos nove estados da região, enquanto Flávio alcançou aproximadamente 10,4 milhões. A diferença ultrapassou 11 milhões de votos em favor do petista, segundo os dados da apuração do primeiro turno.
A conta eleitoral não fecha apenas com o Centro-Oeste
Mesmo com uma articulação política regional, não basta reunir governadores, senadores e deputados em torno de um único candidato. O apoio das lideranças pode ampliar a mobilização, mas não garante que os eleitores seguirão suas orientações.

A campanha de Flávio precisa, portanto, combinar a manutenção de sua vantagem no Centro-Oeste com a conquista de votos em outras regiões, especialmente nos grandes colégios eleitorais. São Paulo, por exemplo, tornou-se uma frente estratégica para tentar compensar a diferença registrada no Nordeste.
O desafio também envolve os eleitores que votaram em candidatos derrotados no primeiro turno e aqueles que se abstiveram. A capacidade de atrair esses grupos pode ter peso importante no resultado final.
A direita pode morrer nas praias do Nordeste?
A expressão resume uma preocupação estratégica, mas não representa um destino inevitável para a direita brasileira. Embora Lula mantenha uma vantagem expressiva no Nordeste, Flávio ampliou sua votação na região em comparação com o desempenho de Jair Bolsonaro em 2022.
Esse avanço indica que existe espaço para mudanças no comportamento eleitoral, ainda que a diferença regional continue elevada.
Também é preciso considerar que o voto nordestino não pode ser explicado por um único fator. Programas sociais, políticas de infraestrutura, acesso à água, educação, emprego, identificação política e avaliação dos governos ajudam a compreender a relação de parte do eleitorado com Lula.
Para conquistar novos votos, a direita terá de apresentar propostas capazes de dialogar com as necessidades concretas dessa população, em vez de depender exclusivamente da mobilização de suas bases tradicionais.
Uma aliança regional ou um projeto nacional?
A aproximação entre lideranças do Centro-Oeste pode fortalecer a representação dos interesses do agronegócio, da infraestrutura e da logística. Entretanto, transformar essa força em um projeto político nacional exige mais do que afinidade ideológica.
Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul compartilham interesses econômicos, mas também possuem demandas próprias. Uma articulação duradoura precisaria conciliar essas prioridades e apresentar resultados concretos para além do calendário eleitoral.
No fim, a disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula será decidida pela votação nacional, e não pelo peso isolado de uma região.


