Juros futuros sobem com cenário eleitoral no radar

Taxa para janeiro de 2028 estava em 12,92%, com alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 12,886% da sessão anterior

As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira (16) com altas pela quarta sessão consecutiva, após novas pesquisas eleitorais reforçarem ​o cenário de empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ​presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto.

O avanço das taxas no Brasil ocorreu em um dia de maior acomodação dos rendimentos dos Treasuries no exterior, depois de terem despencado na véspera.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,92%, com alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 12,886% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,885%, com elevação de 8 pontos-base ante 12,808%.

No acumulado desta ⁠semana, essas taxas subiram 39 e 54 pontos-base, ​respectivamente, após terem apresentado recuos fortes na semana anterior (-99 e -176 pontos-base, respectivamente), quando Flávio ficou à frente de Lula ​no primeiro turno da disputa presidencial.

No fim da manhã desta sexta-feira a pesquisa CNT/MDA mostrou Flávio com 46,8% das intenções de ⁠voto e Lula com 45,9%, uma diferença de apenas 0,9 ⁠ponto percentual. Brancos e nulos somam 4,9% e indecisos são 2,4%. Como a margem de erro é ​de ‌2,2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.

O levantamento somou-se a outros divulgados nesta semana que também apontaram para uma disputa indefinida. ⁠Na noite de quinta-feira, a pesquisa Datafolha mostrou que a vantagem de Flávio sobre Lula caiu de 4 para 2 pontos percentuais.

O senador tem agora 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Lula. Os indecisos somam 2% e os que pretendem votar ‌em ⁠branco, nulo ou não vão ‌votar são 6%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, eles estão tecnicamente empatados.

Assim como em sessões anteriores, a reação de Lula nas pesquisas deu força às taxas dos DIs nesta sexta-feira. Às 11h42, após a divulgação dos dados da CNT/MDA, a ⁠taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a máxima intradia de 12,945% (+14 ⁠pontos-base).

Na prática, notícias não tão favoráveis a Flávio têm dado força às taxas e ao dólar ante o real.

Isso porque boa parte dos agentes do ‌mercado considera que com Flávio no Planalto cresceriam as chances de um maior controle das contas públicas -- ainda que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.

Na noite de quinta-feira (15), em entrevista à TV Globo, Lula disse que está preocupado com o aumento da dívida pública brasileira e defendeu o crescimento econômico como forma de resolver o ‌problema fiscal.

A dívida bruta do Brasil atingiu 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em agosto, conforme os dados do Banco Central. No fim de 2022, antes de Lula assumir, ela estava em 71,7%.

Neste cenário, os investidores seguem convictos de que o Banco Central ⁠cortará novamente a Selic em 25 pontos-base em novembro, mas estão divididos sobre o encontro de dezembro do Copom (Comitê de Política Monetária). Atualmente a Selic está em 13,75%.

A percepção geral é de que a decisão de dezembro estará diretamente relacionada ao resultado da eleição e ​seus efeitos sobre o câmbio e as expectativas de inflação.

Para além da disputa eleitoral, o BC informou pela manhã que seu IBC-Br (Índice de ​Atividade Econômica) subiu 0,30% em agosto ante julho, na série com ajustes sazonais, em linha com o projetado por economistas em pesquisa da Reuters. Na comparação com agosto de 2025, houve alta de 1,2% na série sem ajustes.

No exterior, em uma sessão de variações menores, às 16h33 o rendimento do Treasury de dez anos – referência global para ‌decisões de investimento – mostrava estabilidade, a 5,085%.