
As taxas dos DIs fecharam a sexta-feira (16) com altas pela quarta sessão consecutiva, após novas pesquisas eleitorais reforçarem o cenário de empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto.
O avanço das taxas no Brasil ocorreu em um dia de maior acomodação dos rendimentos dos Treasuries no exterior, depois de terem despencado na véspera.
No acumulado desta semana, essas taxas subiram 39 e 54 pontos-base, respectivamente, após terem apresentado recuos fortes na semana anterior (-99 e -176 pontos-base, respectivamente), quando Flávio ficou à frente de Lula no primeiro turno da disputa presidencial.
No fim da manhã desta sexta-feira a pesquisa CNT/MDA mostrou Flávio com 46,8% das intenções de voto e Lula com 45,9%, uma diferença de apenas 0,9 ponto percentual. Brancos e nulos somam 4,9% e indecisos são 2,4%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
O levantamento somou-se a outros divulgados nesta semana que também apontaram para uma disputa indefinida. Na noite de quinta-feira, a pesquisa Datafolha mostrou que a vantagem de Flávio sobre Lula caiu de 4 para 2 pontos percentuais.
O senador tem agora 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Lula. Os indecisos somam 2% e os que pretendem votar em branco, nulo ou não vão votar são 6%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, eles estão tecnicamente empatados.
Assim como em sessões anteriores, a reação de Lula nas pesquisas deu força às taxas dos DIs nesta sexta-feira. Às 11h42, após a divulgação dos dados da CNT/MDA, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a máxima intradia de 12,945% (+14 pontos-base).
Na prática, notícias não tão favoráveis a Flávio têm dado força às taxas e ao dólar ante o real.
Isso porque boa parte dos agentes do mercado considera que com Flávio no Planalto cresceriam as chances de um maior controle das contas públicas -- ainda que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.
Na noite de quinta-feira (15), em entrevista à TV Globo, Lula disse que está preocupado com o aumento da dívida pública brasileira e defendeu o crescimento econômico como forma de resolver o problema fiscal.
A dívida bruta do Brasil atingiu 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em agosto, conforme os dados do Banco Central. No fim de 2022, antes de Lula assumir, ela estava em 71,7%.
Neste cenário, os investidores seguem convictos de que o Banco Central cortará novamente a Selic em 25 pontos-base em novembro, mas estão divididos sobre o encontro de dezembro do Copom (Comitê de Política Monetária). Atualmente a Selic está em 13,75%.
A percepção geral é de que a decisão de dezembro estará diretamente relacionada ao resultado da eleição e seus efeitos sobre o câmbio e as expectativas de inflação.
Para além da disputa eleitoral, o BC informou pela manhã que seu IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) subiu 0,30% em agosto ante julho, na série com ajustes sazonais, em linha com o projetado por economistas em pesquisa da Reuters. Na comparação com agosto de 2025, houve alta de 1,2% na série sem ajustes.


