
A sessão plenária da Câmara Municipal de Várzea Grande, realizada nesta terça-feira (20), começou sob forte clima de tensão política e com o registro de uma ameaça velada captada pelos microfones de transmissão oficial da Casa. Logo na abertura do plenário, o presidente do Legislativo municipal, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), dirigiu-se ao vereador Bruno Rios (PL), aliado da prefeita Flávia Moretti (PL) e seu adversário na disputa pelo comando da Mesa Diretora.
Após chamar o vereador Sardinha (MDB) para realizar a leitura de um trecho bíblico, Cerqueira aproximou-se de Rios, bateu em seu ombro e disparou: "Você vai pagar, meu filho". Com o microfone principal cortado, Rios passou a rebater as acusações enquanto Cerqueira tomava café. Em determinado momento, ao ter o áudio de seu microfone captado durante o início da oração, ouviu-se o desabafo do parlamentar do PL. "Eu não tenho culpa."
Cerqueira insistiu no tom de cobrança. "Você vai saber na hora certa". Diante da hostilidade e na tentativa de conter os ânimos, a vereadora Rosy Prado (União), que integrava a Mesa Diretora, pediu calma aos colegas. Bruno Rios, por sua vez, reagiu abertamente e avisou que não se curvaria a intimidações.
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"Não vem me ameaçar aqui não. Faz o que você quiser, Wanderley, faz o que você quiser. Não tenho nada a ver com isso, não, as ações de vocês. Eu respondo pelos meus atos e pelos de vocês".
O confronto verbal ocorreu no mesmo dia em que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Cathedra Venalis, que investiga supostos crimes de corrupção e compra de votos ocorridos durante a eleição e disputa pelo comando da Mesa Diretora da Câmara.
Wanderley Cerqueira figurou entre os principais alvos das apurações. Em manifestação pública após o cumprimento das medidas cautelares, o presidente da Casa de Leis criticou abertamente a atuação policial e colocou sob suspeita a legitimidade da operação.
Cerqueira contestou a ação do Gaeco e alegou que as investigações teriam motivações políticas para desgastar sua imagem e interferir no equilíbrio do Poder Legislativo municipal. A crise política em Várzea Grande é o reflexo de um acirrado racha interno na Câmara Municipal.
A apuração do Gaeco debruça-se justamente sobre os bastidores dessa eleição interna e a acusação de interferências ilícitas e cooptação de votos entre parlamentares, fato que transformou o plenário da Câmara em um cenário de acusações diretas e ameaças expostas ao vivo.


