
O governador Otaviano Pivetta começou a mostrar que pretende imprimir sua própria identidade administrativa ao Governo de Mato Grosso. E o primeiro movimento de maior repercussão veio acompanhado de um verdadeiro facão: 115 servidores ocupantes de cargos comissionados e funções de confiança foram exonerados de 16 órgãos da administração estadual.
A maior concentração dos desligamentos ocorreu justamente na Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), com 34 exonerações. Na sequência aparecem a Secretaria de Educação (Seduc), com 21, e a Casa Civil, com 11. Juntas, as três estruturas representam 57,4% das exonerações.
O detalhe que chama a atenção nos bastidores políticos é que a Setasc era uma das principais estruturas associadas à atuação da ex-primeira-dama Virginia Mendes, atualmente deputada federal. Quatro secretários-adjuntos também deixaram seus cargos.
A movimentação levanta uma questão inevitável: Pivetta está apenas reorganizando a estrutura administrativa ou também promovendo uma mudança na influência política dentro do Palácio Paiaguás?
Não há, até o momento, demonstração de que todos os exonerados integravam um mesmo grupo político ou de que os cargos representassem irregularidades. Mas a concentração das mudanças na assistência social merece atenção e explicações.
UM GOVERNO PARA QUEM MAIS PRECISA?
Pivetta tem sinalizado que saúde e educação estarão entre as principais prioridades de sua administração, com atenção especial à população mais vulnerável.
A lógica defendida pelo governador é que o desenvolvimento econômico precisa chegar à vida das pessoas. Afinal, quem tem condições financeiras consegue procurar atendimento particular, pagar escola e contratar serviços. Já os mais pobres dependem diretamente da qualidade dos serviços públicos.
Na saúde, o governador fala em acelerar o Fila Zero, ampliar atendimentos, reduzir a espera por cirurgias e exames e fortalecer a rede hospitalar.
Na educação, a proposta inclui ampliar a formação técnica e profissionalizante dos jovens, preparando-os para o mercado de trabalho.
O combate à pobreza, a moradia e a melhoria das condições de vida também aparecem entre os compromissos anunciados.
É uma agenda que precisará sair das entrevistas e dos discursos para aparecer no orçamento, nas escolas, nos hospitais e na mesa das famílias mato-grossenses.
O FACÃO VAI CORTAR DESPESAS OU APENAS TROCAR NOMES?
Aqui está uma das questões mais importantes dessa reorganização.
Exonerar 115 servidores não significa necessariamente extinguir 115 cargos. Parte dessas funções poderá ser novamente preenchida por outros nomes.
Portanto, a população precisa saber quanto o governo efetivamente economizará com as mudanças e quanto desse dinheiro será convertido em investimentos e serviços públicos.
Um governo mais enxuto não deve ser medido apenas pelo tamanho da lista de exonerações, mas pela redução permanente das despesas administrativas e pela melhoria dos resultados entregues à sociedade.
PIVETTA, O GERENTE DO PAIAGUÁS?
A pergunta que começa a circular é se Otaviano Pivetta pretende assumir definitivamente o papel de administrador do Estado, imprimindo uma gestão própria, com critérios de eficiência, responsabilidade fiscal e prioridade social.
A experiência administrativa é frequentemente apontada como uma das características de sua trajetória. Agora, o desafio é demonstrar que consegue transformar esse discurso em resultados para os mais de 3 milhões de habitantes de Mato Grosso.
O Estado possui uma economia forte, uma arrecadação expressiva e um setor produtivo de grande relevância nacional. Mas desenvolvimento econômico também precisa significar qualidade de vida para quem depende dos serviços públicos.
O verdadeiro teste de um gerente público não está na quantidade de pessoas que manda embora, mas na qualidade de vida que consegue entregar à população.
A PERGUNTA QUE FICA AO GOVERNADOR
Otaviano Pivetta pretende deixar como marca de sua administração um governo mais enxuto, com menos despesas políticas e administrativas, mas com mais investimentos em saúde, educação e assistência social?
E mais: os cortes anunciados representarão uma economia permanente para os cofres públicos ou haverá apenas uma substituição de ocupantes dos cargos?
Governador, o senhor está disposto a transformar o facão administrativo em mais médicos, exames, cirurgias, escolas de qualidade e assistência às famílias que mais precisam?


