
Boraaaa! O xerife Otaviano Pivetta arrumou as malas, ajeitou o coldre imaginário e embarcou rumo à terra dos turcos. Desta vez, não está atrás de bandido na floresta, mas de bons negócios na COP31, onde pretende discutir o valor da preservação ambiental de Mato Grosso.
O destino é Antália, na Turquia. Mas o papagaio, sempre apressado e pouco preocupado com geografia, já saiu anunciando aos quatro cantos da floresta:
— Atenção, atenção! O xerife está chegando a Istambul! Quem tiver negócio para fazer, prepare a proposta! Quem estiver pensando em voar alto ou baixo, pode abrir as asas, porque o homem está chegando!
A raposa, que não perde uma oportunidade, logo perguntou:
— Papagaio, você tem certeza de que ele foi negociar ou está indo fiscalizar a concorrência?
— Não sei! Só sei que nunca vi turco perder negócio! — respondeu a ave, ajeitando as penas.
Enquanto isso, lá na floresta mato-grossense, os bichos discutiam o tamanho da negociação. O xerife quer mostrar que Mato Grosso produz soja, milho, algodão e proteína animal, mas também mantém enormes áreas de vegetação nativa, distribuídas entre Amazônia, Cerrado e Pantanal.
E fez uma pergunta que merece ser ouvida pelos grandes compradores do planeta:
— Se o mundo precisa da nossa produção e também da nossa preservação, por que não remunerar quem conserva esse patrimônio?
A onça concordou com a cabeça. O macaco velho, mais experiente, coçou o queixo e aconselhou:
— Cuidado, xerife! Na terra dos negócios, conversa bonita não enche cofre. Quero ver voltar com contrato, investimento e dinheiro para quem preserva!
O papagaio, que já estava preparando outro anúncio, interrompeu:
— Atenção, floresta! O xerife foi buscar reconhecimento internacional! Se voltar com os cofres cheios, teremos festa no Paiaguás!
Mas a raposa, desconfiada como sempre, deu a última palavra:
— Primeiro vamos esperar o resultado. Negócio anunciado não é negócio fechado!
E assim segue a expedição do xerife à terra dos turcos. Enquanto ele conversa sobre florestas, carbono e oportunidades econômicas, a floresta mato-grossense continua esperando uma resposta para uma velha pergunta:
QUANTO VALE PRESERVAR?
Porque produzir alimentos é importante, preservar a natureza também é. E quem mantém a floresta em pé não pode ficar apenas com a conta.
Votiiii! O papagaio que aguarde o retorno do xerife. Até lá, melhor não sair voando por aí anunciando negócios que ainda não foram fechados!


